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June 24, 2008

Bem de Alzheimer

Estava pensando que a avó, demenciada, lembrando nomes e gestos, mas não o dia anterior, talvez não precisasse tanto assim da dedicação da família no sentido de lhe proporcionar bons momentos, felicidades de que não se lembraria horas depois. Pensava que não ter a lembrança tirava o sentido da alegria, como se o depois valesse mais que o durante. Mas não. Talvez o contrário: como não tem mais a possibilidade de comparar o que está sentindo com o que já sentiu antes, a avó vive a intensidade mais plena, cada momento contendo a maior felicidade e a maior tristeza possíveis. Nenhum meio termo, nenhuma mediocridade. Consolou-se com sobra.

Posted by Bruno Rabin at June 24, 2008 12:03 AM

Comments

Bonito.

Posted by: Gustavo at June 24, 2008 12:43 PM

Não havia pensado nisso.

Posted by: olney at July 31, 2008 04:40 PM

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