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May 16, 2008
Vaidades masculinas

Não é verdade que as pessoas sejam cada vez mais vaidosas; elas são mais estúpidas, talvez, e põem a vaidade nas coisas erradas. O corpo, para citar o exemplo mais comum. É assim: incapaz de se envaidecer de alguma coisa que preste, o sujeito vai para a academia ou fica assistindo ao gnt. Mas esse culto ao corpo – um hábito mais bom do que ruim, é bom dizer antes que alguém pense o contrário, mas se pensar, também, pouco importa –, enfim, esse culto ao corpo é só porque as outras vaidades exigem sutileza, e alguma elegância. E variam conforme o meio cultural, a profissão, o grau de beleza (os feiosos que fazem dança de salão bem o sabem). Na verdade, quanto mais vaidosa é a pessoa, menos preocupada com a aparência ela será.
A vaidade dos escritores, por exemplo, é bem charmosa, digam o que disserem sobre a falsa timidez, os óculos sem lentes ou o olhar penetrante no infinito pensando: "Acho que ela vai me dar, acho que vai." O livro está publicado, o que é que há?! A pose precisa acompanhar os fatos, pois vaidade também é questão de credibilidade profissional. No caso do escritor, não há qualidade literária que resista a uma discussão sobre o troco com o caixa do supermercado onde foi comprar leite em pó e meio quilo de cebola a pedido da cozinheira após a corrida matinal na praia.
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Nada disso vem muito ao caso. Era só pretexto para falar de uma outra vaidade, digamos, intelectual: a dos professores. Espécie que dá pena, sobretudo o bom professor. Peito inflado, voz alta numa roda de conversa, gestos largos como quem precisa da atenção risonha de todos, o professor tem uma vaidade infantil. De tanto ouvir que é inspirador, que ensinou o que ninguém tinha conseguido ensinar, que é uma pessoa brilhante, ele acaba acreditando nisso – e abre aquele sorriso confiante, de uma orelha a outra, sem olhar as unhas sujas de giz, sem sentir o próprio bafo de café, sem ter lido Freud, Lacan ou qualquer monografia de primeiro período de psicologia explicando a projeção do "sujeito suposto saber". Suposto, diríamos a ele, se o professor conseguisse ouvir alguma coisa além da própria voz.
Posted by Bruno Rabin at May 16, 2008 03:39 PM