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May 09, 2008
In olden days a glimpse of stocking / was looked on as something shocking, / but now, heaven knows, / anything goes.
A volta é muito mais difícil que o começo. Porque há mágoas no caminho - o post (ainda) não feito para nossa meme -, uma bela promessa não cumprida - um post por (cinco) dia(s) - e o novo teclado, sem aquele barulhinho tão agradável, razão principal para ficar por aqui escrevendo.
Há também o constrangimento com a vizinhança. Esse apartamento aqui no Leblon digital é coisa antiga, prédio de pilotis, sem garagem, um banheiro para dois quartinhos; e agora que o bairro ficou chique - e mais ainda ficará... -, a gente fica com vergonha de carregar essa sacola surrada perto das vitrines bonitas.
Também porque não há tanto sobre o que falar: essa felicidade morninha sob esse sol encasacado da vida diminui a vontade das coisas que não dão prazer. Escrever, por exemplo.
Mas sobretudo porque escrevia para maltratar. Mas agora é amor e mágoa - por exemplo, gostar honestamente de McEwan e ouvir um amigo destratá-lo, ficando meio sem jeito no meio da briga. Nessas horas, a pior coisa é amar; porque o contrário do amor é a ironia, e a graça.
...
Não me lembro de quem falou sobre esse efeito perverso dos blogs sobre a literatura tradicional - o de que cada post é um romance em potencial, não escrito porque permanente em sua forma inacabada (quem foi, Márcio?) -, mas este blog chega a lugares piores: o de posts sobre posts que nem se vão escrever:
O post sobre a sugestão de trama para novelas, em que o herói descobre (não que é filho de sua irmã, como sempre), mas que é paulista, tendo se achado carioca a vida inteira (inclusive com o "x", a preferência por chinelos, o "falso inglês relax"); um outro post sobre o pretexto que a idéia de "tudo já foi feito" deu a tanta gente para gastar tinta à toa (e antes que você diga alguma coisa: é pixel, idiota!); um terceiro post sobre a vantagem de ser muito, muito infantil para gerir um negócio; e quatro ficções que vou colocar à venda (vinte pratas cada uma, mas valem menos).
Mas a gente vamos escrevendo, afinal. Que de doce basta a vida.
Posted by Bruno Rabin at May 9, 2008 07:19 PM
Comments
Ah, poxa Bruno, desculpe. Não quis magoar, não. Veja lá se eu sou parâmetro de bom-gosto: http://diacronico.blogspot.com/2005/06/king.html
(E como diz o Tiago A., se é por falta de incentivo, tome um VOLTA!)
[Ficou meio Ronalda essa mágoa, né? Mas não é nada disso, Mauro. Voltarei.]
Posted by: mauro at May 9, 2008 08:08 PM
Ninguém bate a velha guarda. TRU.
[É nóis, véi.]
Posted by: david at May 10, 2008 12:21 AM