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March 17, 2008

Quase-opiniões - muita preguiça, como se não fosse nem uma coisa humana

Tudo o que penso é quase:

1) Alguns livros ficam melhor na tradução do que no original. Livros bons são dados a ótimos tradutores; ou péssimos tradutores, mas excelentes escritores; ou tradutores marromeno, escritores idem. Eles sempre dão uma ajeitada no original; tiram aquela gordurinha. Comparem, podem comparar. Isso pra não falar de escritores que nem deveriam escrever em seus idiomas, caso de Borges, que fica errado em espanhol, como já disse o Alexandre. Ou de Machado de Assis, que escrevia em inglês e era traduzido pela Carolina. Dizem.

2) E a tecnologia que veio pra facilitar nossa vida? Toda vez que a gente precisa (a gente precisa, sim, sempre só por fetiche, mas quem disse que isso não é necessidade? E o livro que você colocou de lado antes de entrar aqui, era ou não era necessário? Ah, eram técnicas para a entrada de dados em sistemas não-linerares... Não, não, estava falando daquele outro, que você usa pra dormir - o limite da necessidade) fazer um upload de micro, telefone, qualquer brinquedinho, toca de tomar rasteira de sistema, agenda, configuração, manual, the hell. É só fazer a conta: o tempo que se "ganha" com esse novo sistema que disca o telefone quando você pensa na pessoa (mas tem que pensar com o lado direito do cérebro, e olhos vendados, plantando bananeira numa piscina Toni) é inversamente proporcional... completa aí.

3) Atenção, denúncia: todas as datas são comerciais. Pronto. Páscoa, Natal, Dia dos Namorados, Aniversário, Dia da Sogra - é tudo feito pela indústria para vender mais! Sim, e que bom.

4) Por que uma pessoa que acha um absurdo a quantidade de pessoas num shopping no domingo chuvoso à tarde, gritando e xingando atrás do volante à espera de uma vaga, vai a um shopping num domingo chuvoso à tarde? Aliás, as pessoas quando compram. Não, as pessoas quando querem comprar uma coisa perdem dois ou três sentidos: andam feito zumbis no shopping, batem em todo mundo, olhando aquela coisa piscando. Mas isso é bom: essas pessoas acho até que ficam uns vinte minutos sem dizer nada.

5)

Posted by Bruno Rabin at 07:25 PM | Comments (4)

March 13, 2008

Entanto lutamos mal rompe a manhã

tomaso.jpg
Non é veramente lo stesso: il tuo elitismo, lo trovo un po piu brutto, Tancredi.

Uma pessoa que se incomode com a coerência precisa tomar cuidado. Recomenda-se o silêncio. Ou uma coerência às avessas: "metamorfose ambulante" - e nesse caso endossar a estupidez de preferir sê-lo a ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Mas é solução verbal; vale nadinha.

Ser elitista brasileiro, por exemplo, e se sentir excluído. Ou querer ser religioso e ter o fetiche do ritual mais que o sentido da, hummm, espiritualidade (words should choose speakers, as they say). O contrário, então, pior ainda. Acreditar numa força, sabe, mas sem esse nome de Deus, e sem ritual, e sem uma tradição - e sem sentido, claro. Ou querer ser blogueiro obscuro, distribuindo tabefes virtuais como prova de macheza, nem fazendo cosquinha no ofendido e rindo aquele risinho protegido pela mão, bem afetado, num cantinho da sala (vai aprender luta livre, filho, que uma boa cotovelada na cara acalma qualquer discussão).

Então, o silêncio mesmo. Ou uma migalha de post. Mas que ninguém se engane: estar a postos, diz o dicionário, é estar "preparado para, à primeira advertência, resistir a um perigo ou tomar a ofensiva." Incoerente, all the same. Mas provisório, enquanto não termina a preparação:


Enquanto vocês postam, a gente prepara a resposta

Posted by Bruno Rabin at 05:53 PM | Comments (1)