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December 05, 2007

Triste Fim de Oswaldinho Nota Verde [repost]

Ainda na escola, Oswaldo aprendou a amar o Capitalismo, que fazia questão de escrever assim mesmo, com maiúscula. Sua namoradinha de ginásio, a Ritinha, ficou apaixonada por um professor hippie de geografia — Felipe, Lipão para os próximos —, para quem a propriedade privada era um assalto (ou roubo, não se lembrava bem). Oswaldo tomou o professor como inimigo e resolveu atacá-lo com sua melhor arma à época: “Professor, fala rápido: Marx, Eva e Adão.” Não deu muito certo, e Oswaldo resolveu estudar.

Na sétima série, já conhecia Adam Smith em detalhe, preferências gastrômicas e doenças familiares incluídas. Queria mostrar àquele barbudo com quantos argumentos se ganha uma garota. No entanto, quanto mais lia, mais se dava conta de que sua vitória sobre o professor não seria na porrada, nem no bate-boca; resolveu ficar rico e ganhar a namorada de volta. Para isso, nada melhor que ser doutor. Oswaldo estudava muito, mas só se interessava por capitalistas que se assumissem de boca cheia. Resultado: tirou zero em história e não passou no vestibular. Como era contra a universidade pública, ficou até satisfeito, mas não podia pagar uma particular. Embora fosse capitalista, Oswaldo mal tinha o da passagem. Resolveu se virar.

Primeiro tentou um empreendimento próprio. Viu que no bairro só havia uma banca de jornal e montou a sua. No início até que vendia bem; tinha um bom papo e se tornou ídolo dos aposentados das redondezas. Seus argumentos — acredita-se — foram a matéria-prima de dezenas de cartas de leitores enviadas ao jornal da cidade, daquelas em que se protesta com frases de efeito. Sua banca sempre cheia acabou atraindo outros jornaleiros e, em pouco menos de dois anos, Oswaldo faliu. Não ficou chateado; antes o contrário: viu naquilo a beleza da livre concorrência e do espírito empreendedor.

Depois da tentativa frustrada, Oswaldo ainda sonhou com uma Towner, mas ficou no sonho mesmo. Acabou arrumando um emprego numa firma de serviços gerais. Não tinha carteira assinada, mas não via mal nisso. Afinal, ele vendeu sua força de trabalho como quis e quem seria o Estado para reclamar disso? Mas o Estado reclamou, e uns fiscais obrigaram a firma a empregá-lo oficialmente. Férias, décimo-terceiro, aquela coisa toda. Oswaldo entrou em depressão: estava feliz com a CLT, logo ele, que tanto gritava contra aquele absurdo. Antes que fizesse uma besteira, foi demitido.

Oswaldo não desanimou. Achou que a política seria o seu lugar e não tardou a se filiar a um partido liberal. Logo descobriu que o nome não dizia muita coisa: em seu primeiro discurso, ouviu um bocejo a cada citação de um economista de renome. Quando chegou a Schumpeter, um colega o interrompeu numa salva de palmas. Só saiu candidato porque se comprometeu a não falar difícil. “Povo gosta de emprego, não de trabalho,” disseram-lhe. Irritado com a censura freqüente, Oswaldo exigiu respeito à sua coerência, no que foi prontamente atendido: passaria a se chamar Oswaldinho Nota Verde, em alusão aos dólares que adorava elogiar. A campanha não deu certo. Ninguém parecia disposto a doar dinheiro para alguém com aquelas idéias. “Mas o que eu defendo é exatamente o seu lucro”, insistia, antes de ouvir a resposta de sempre: “Meu filho, se eu quisesse livre concorrência, não dava dinheiro pra campanha política.” Os votos dos aposentados do bairro não salvaram Oswaldo da derrota humilhante. A política o expulsou de vez.

No dia da eleição, Oswaldo ficou cabisbaixo; não pela derrota, que ele até compreendeu. Triste mesmo foi ver a Ritinha toda prosa ao lado do Lipão, num Uno Mille muito bacana. Arrasado, Oswaldo ainda teve tempo de pegar o ônibus, mas ninguém sabe para onde.

Posted by Bruno Rabin at December 5, 2007 06:00 PM

Comments

Ah Oswaldinho, pobre diabo.

Posted by: Adegesto Pataca at December 18, 2007 01:01 PM

Explica ao Oswaldinho que o Capitalismo só é bom para quem tem Nota Verde.
E por favor não esquece de ler "Marcio" e me devolver dizendo o que achaste. Preciso postá-lo em meu blog.

Ah, sim: gostaste dos travessões, heim?

Posted by: U. Death at December 22, 2007 11:33 PM

Eu tenho medo dessas coisas.

Posted by: Antonia at December 26, 2007 03:37 PM

Brunô, levantei na área: http://www.apostos.com/todos/archives/2008/01/postar_gratia_p.html
Vai que é tua, Taffarel!

Posted by: mauro at January 24, 2008 09:08 PM

Será que ele sabia que o LIBERALISMO NÃO deu certo? Éhhh..., e é por isso que no século XX surgiu o Estado "intrometido". Fiquei espantada com o Oswaldinho Nota Verde não ter se tocado disso, logo ele que parecia ser tão... tão culto! Mas tudo bem... não é só ele que se engana: a esquerdalha ainda acredita - ou, hipocritamente, finge acreditar? - que o socialismo de Marx, Engels, Lenin, e o diabo a quatro, vai resolver todos os nossos problemas.
Se um dia eu ver o Nota Verde, vou lhe dar um conselho: o problema do capitalistas é que eles não enxergam que o capitalismo surgiu com o Estado, e dele sempre vai precisar, mesmo que seja com o Estado criando "Poor Laws" e outras leis para que a iniciativa privada possa agir "livremente".
E se ele se interessar pelo conselho que lhe darei, com certeza vou indicar o livro "A Grande Transformação: as Origens da Nossa Época". O autor é o austríaco Karl Polanyi... Talvez Nota Verde não goste do livro, já que este tem várias críticas ao capitalismo liberal, mas que Nota Verde vai gostar das críticas a Karl Marx, ah!, isso ele vai!

Posted by: Priscila at February 2, 2008 03:07 PM

Governo é coisa linda de Deus.
O Governo é muito bom pra dar Educação
O Governo é otimo pra gerênciar hospital
O Governo é melhor ainda quando cuida da segurança pública.
O Governo é o pai dos pobres e divide o dinheiro que toma das ZêliteCapitalista bem direitinho, sem ficar com nenhum pra sí!
O Governo é ótimo pra cuidar de estrada, pra prover serviços de telefonia (Amigos, TELESP era símbolo de eficiencia), pra cuidar de extração de petróleo, porque afinal O PETRÓLEO É NOSSO!. Serve também pra fazer softwares, carros (LADA era tipo um Porsche, só que com cheirinho de vódca no interior). O Governo é bom, e seus agentes são santos. "Homo homini angelu". O Homen é o anjinho do Homen, e na coletividade estatizante iremos semear o bem no mundo! (E so pegando um bucadinho pra nós, claro.). Os Capitalistas, esses são um desgraçados, e só serve, pra uma coisinha, pagar importo. Porque alguém tem que pagar imposto, não da pra todo mundo comer merendinha do governo. Se bem que aqui no Brasil, estamos tentando fervorosamente criar a utopia estatal.

Estatismo é muito bom pra político, funcionário publico e estudante da USP. Pena que os Keynesianos da blogosfera cometem sempre os mesmos erros, acham que o Governo é fabrica de dinheiro, e que economia é gerenciar a abundancia. Nota-se que 500 anos de ferrenho estatismo na America Latina realmente fez muito bem ao continente.

"o capitalismo é o sistema mais eficiente que a humanidade já conheceu"
-John Maynard Keynes-

Posted by: FIXtheMAD at March 20, 2008 08:37 PM

E se é para dar dica de livro:

Autores


Thomas Sowell, Milton Friedman, Paul Johnson, Shelby Steele, Tocqueville, Ludwig von Mises

E um link bacana, pra abrir a cabeça! LEIAM com carinho: http://www.villagevoice.com/news/0811,374064,374064,1.html/full


Posted by: FIXtheMAD at March 20, 2008 08:46 PM

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