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September 07, 2007
Humilhação; humildade
O testemunho de autoridade tem matizes de todos os tipos. Serve tanto à escassez de idéias próprias quanto à sua abundância - quando as referências se embaralham para criar alguma novidade, um riso que seja.
Para alguns, trata-se sempre de uma evidência do pedantismo de quem cita. Qualificação interessante essa de pedante. Varia muito entre pessoas. Mostra mais a estupidez de quem qualifica do que um defeito de quem fala; porque o pedantismo é um conhecimento alheio que nos diminui. “Ele não precisava ter mostrado que sabe isso”, diz-se, cheirando a inveja, como se a falta de “necessidade” não fosse justamente o que mais liberta o citador.
O grau de intolerância com citadores não é uniforme: varia de acordo com o autor citado, indo da rejeição máxima — um teólogo norueguês “obscuro” — à aceitação simpática — um desses fiolósofos do futebol. Ou seja, não há relação com o citar em si, o que só prova o argumento.
Por falar em “si”, há uma forma radical e pura de citação, que é quando o sujeito cita a si mesmo: “É como eu sempre digo, isso aí vai dar merda!” Que auto-estima! É quase como colocar o próprio livro na bibliografia. Ser exemplo de si mesmo é, possivelmente, a maior segurança intelectual possível. Ou falta de vergonha na cara. Tanto faz.
Posted by Bruno Rabin at September 7, 2007 05:20 AM