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September 17, 2007

E se “Tropa de Elite” fosse também uma denúncia da pirataria?

E contam que se trata de um “soco no estômago” - pior, “no fígado”, ou ”no pâncreas”, (que devo ter lido por aí, muito embora me tenham dito impossível esse soco. Disseram-me isso os entendidos em anatomia, coisa que os críticos devem achar pra lá de bacana, pois que metáfora pura, sem referente no real, é a força crua, perfeita para o filme) - “soco no estômago”, eu estava dizendo. E isso diz mais de quem fala do que do filme.

Não deixa de ser curioso o fetiche em torno dele, da violência crua, da verdade, da denúncia, da falta de perspectivas, das contradições (que mais? que mais?), da audácia, do despudor (não desista, não desista), da cidade, da vida, do Brasil, dos Brasis... Esses que o vêem, que o compram nas ruas, que o baixam na rede, justamente esses olham para o filme como se diante da pornografia, e se excitam. Ouvi dizer até que “o filme é muito legal”. Esse foi o adjetivo, “legal”, como poderia ter sido “empolgante”, ou “arrebatador”. “Legal”, disseram. E o disseram sobre “Tropa de elite”, que fala do BOPE, sabem? É ou não é um filme sobre o BOPE? É ou não é um filme sobre tortura, corrupção na polícia e afins? E o filme é “legal”.

Posted by Bruno Rabin at September 17, 2007 06:27 PM

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