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September 30, 2007
Arte conceitual, comme il faut
A arte conceitual, quase sempre, propõe o desapego pelo suporte único. Daí a preferência por multimeios, instalações, impurezas - como se a idéia impusesse os meios expressivos e o artista fosse livre para fazer misturas. Parece-se um contrasenso. Por que justamente o conceito, a imaginação em essência e pureza, se verteria em linguagem múltipla? Não deveria ser exatamente o contrário - a mais pura forma para o mais puro sentido? Mas, não. Nem isso. A linguagem pura, inexistente, seria um sinal de menos, para o conceito.
Melhor seria como propunha um velho professor (a quem devo a libertação de ter me mostrado que eu não conseguia finalizar uma monografia sobre Manoel de Barros, porque tinha descoberto - e não sabia - a chatice disfarçada de sabedoria para ator da Globo daqueles poemas), mas esse velho professor costumava descrever instalações e projetos multimídia para comentar, piscando o olho esquerdo, que a obra criada naquele momento já existia. É isso: obra conceitual radical não pode existir senão como idéia. Aliás, nem a descrição serviria; a pureza do conceito merece a incomunicação do não-dito. O que não se pode dizer deve-se calar, já disse o outro. E assim, caladinhos, artistas conceituais poderiam criar suas obras mentais, sorrir, vibrar e voltar a criar, uma após uma, suas peças virtuais, em busca da síntese mais pura do pensamento (ou de uma lista de substantivos abstratos, já encontrável em dicionários, é sempre bom avisar).
Teriam problemas em vender suas criações, é verdade. Mas isso apenas até a telepatia funcionar. Talvez nem precisassem vender nada, desde que o MinC garantisse a renúncia fiscal para essa arte do não-dizer. Boa forma de lavar dinheiro, com a vantagem de dispensar a hipocrisia - ou levá-la ao limite, o que dá no mesmo. E o mais importante: o pintor poderia voltar a pintar; o escultor, a esculpir; e o músico, a compor - cada um livre do conceito e da radicalidade, para sempre concentrados na imaginação do artista autista.
Posted by Bruno Rabin at 01:28 PM | Comments (0)
September 29, 2007
O que se diz; o que se ouve (II)
Mais um diálogo real. O filho ainda estava listando o que queria na lanchonete, mas foi interrompido pela mãe:
- Você precisar ser mais comedido, meu filho. Olha a quantidade de comida que você tá pedindo. Depois passa mal.
- Mãe, me deixa, eu tô com fome.
- Deixar eu deixo, mas você sabe que exagerar é sempre ruim!
- Inclusive na hora de dar esporro no filho?
Posted by Bruno Rabin at 08:29 PM | Comments (0)
September 27, 2007
A boniteza das palavra
Desde a criação do PSDB e, sobretudo, durante a Era FHC, foi piada corrente o eufesmismo em-cima-do-muro do discurso político tucano. Fome era "estado de vácuo estomacal" e desemprego, "suspensão temporária de atividade profissional". O politicamente correto é sempre caricatura; e caricatura é sempre piada.
Não para todos. O PT e o Lula vão pelo mesmo caminho, como o estudante medíocre que reúne meia dúzia de substantivos com mais de oito letras para impressionar o professor. Do eufemismo, guardam apenas a prolixidade. Um dia, é a "Secretaria de Planejamento de Longo Prazo"; no outro, o "Plano Nacional de Enfrentamento das Mudanças Climáticas". Imaginem a reunião em que se criaram esses termos, a diversão do redator com sua sugestão, diante do olhar invejoso dos outros. E o Lula achando tudo de uma boniteza que só.
Não há mal nisso, minha gente. No Brasil - olhem para o lado - o que não é eufemismo?
Posted by Bruno Rabin at 06:34 PM | Comments (0)
September 25, 2007
The answer, my friend
Talvez alguém chegue a achar que um voto contra o Renan não compense isto. Talvez.
Posted by Bruno Rabin at 09:53 PM | Comments (0)
O que se diz; o que se ouve
Preciso fazer uma série sobre diálogos que tenho ouvido na hora do almoço. Gosto muito de pegar uns pedaços de conversa, mas minha memória funciona mal. Este, pelo menos, eu anotei:
- Então você é vegetariano! Não come carne mesmo?
- Não.
- Não sabe o que está perdendo. Mas, olha, respeito muito sua escolha.
- Tudo bem, eu também respeito a sua.
(Esse é o post de ontem, dentro da campanha "Um post por dia". Estava pronto, mas acabou não indo ao ar. Ainda hoje, tem mais.)
Posted by Bruno Rabin at 12:20 PM | Comments (0)
September 23, 2007
Duas ou três coisas sobre a polêmica em torno dos livros didáticos aprovados pelo MEC
1) Desde o governo Fernando Henrique, na gestão Paulo Renato, a escolha dos livros didáticos é feita pelos próprios professores, a partir de uma lista de aprovados pelo Ministério. Se, ao que parece (google, pessoal), cerca de 50 mil professores de história do país escolheram os livros de Mário Schmidt, num processo democrático, a que conclusão se pode chegar: a) os livros são bons, e o Ali Kamel está errado (é assim que funciona a democracia)?; b) os livros são ruins mesmo, e os professores de história estão errados (é a ssim que funciona o bom senso)?
2) A mediocridade de alunos e professores dificilmente os levará a algo além da mediocridade. Estão nos livros elogios a Mao, simplismos sobre o capitalismo, blá-blá-blá, mas isso não faz a menor diferença. A maioria dos estudantes não lê; quando lê, não entende o que leu. E mesmo que não houvesse nada disso nos livros, os professores se encarregariam de dizê-lo - e isto seria muito mais verdadeiro para as crianças do que a página impressa (até hoje me lembro da professora de literatura que não gostava de Drummond e dizia que ele era elogiado demais. E não?).
3) Quer dizer que Mao era pegador? (Tá vendo? A gente aprende muitas coisas nesses livros. Onde tem para vender?)
Posted by Bruno Rabin at 11:14 AM | Comments (0)
September 21, 2007
Escritores e pedagogas
No telejornal de hoje, a pedagoga - aliteração gaga, que diz muito sobre a profissão da dita cuja - falava sobre a bienal do livro, destacando que as crianças têm a oportunidade de conhecer os autores e desmistificar a figura do escritor, ver que eles são pessoas de carne e osso, enfim, ver que são gente como a gente, que roem a unha e têm bafo.
Sei não. Além de achar perigoso as crianças identificarem escritores com as "tias" do colégio, acredito que a maior parte do gosto pela leitura é imaginar o autor como ser inalcançável. Qual a graça de ler um conto de Borges sabendo que ele derramava a sopa como se babasse?
Por falta de mito, corre-se o risco de ver mais crianças se transformando em adultos que acham que podem escrever, que escrever é para qualquer um, que escrever é uma coisa cotidiana, que escrever é como dar um arroto. Daqui a pouco, imaginem, algumas dessas crianças podem chegar ao cúmulo de criar blogs e postar um texto por dia. Aonde chegaremos?
Posted by Bruno Rabin at 12:47 PM | Comments (0)
September 20, 2007
Se tudo der errado, vou pro David Letterman
Dez coisas que me vêm à cabeça a propósito do Dia Mundial sem Carros
1. "Bom saber. O trânsito vai ficar uma beleza."
2. "Será folga para os guardas?"
3. "Sacanagem com os donos de postos de gasolina."
4. "Quero ver o Dia Mundial sem Árvores. (Não é para comparar?)"
5. "E o Dia Mundial com Carros? Todo mundo buzinando junto contra o aquecimento global e a poluição sonora."
6. "Esse movimento é de esquerda ou de direita? Preciso me posicionar, gente!"
7. "Deve ser lobby dos fabricantes de bicicleta."
8. "Poderíamos propor também o Dia Mundial sem Caros. Tudo a preço de custo."
9. "Manhê, se esse dia é apenas uma data simbólica pra refletir sobre as conseqüências do uso dos carros e eu já refleti, estou liberado?"
10. "E quando faremos o Dia Mundial sem protestos da sociedade civil?"
Posted by Bruno Rabin at 09:36 PM | Comments (0)
September 18, 2007
Para você:
Posted by Bruno Rabin at 12:14 AM | Comments (0)
September 17, 2007
E se “Tropa de Elite” fosse também uma denúncia da pirataria?
E contam que se trata de um “soco no estômago” - pior, “no fígado”, ou ”no pâncreas”, (que devo ter lido por aí, muito embora me tenham dito impossível esse soco. Disseram-me isso os entendidos em anatomia, coisa que os críticos devem achar pra lá de bacana, pois que metáfora pura, sem referente no real, é a força crua, perfeita para o filme) - “soco no estômago”, eu estava dizendo. E isso diz mais de quem fala do que do filme.
Não deixa de ser curioso o fetiche em torno dele, da violência crua, da verdade, da denúncia, da falta de perspectivas, das contradições (que mais? que mais?), da audácia, do despudor (não desista, não desista), da cidade, da vida, do Brasil, dos Brasis... Esses que o vêem, que o compram nas ruas, que o baixam na rede, justamente esses olham para o filme como se diante da pornografia, e se excitam. Ouvi dizer até que “o filme é muito legal”. Esse foi o adjetivo, “legal”, como poderia ter sido “empolgante”, ou “arrebatador”. “Legal”, disseram. E o disseram sobre “Tropa de elite”, que fala do BOPE, sabem? É ou não é um filme sobre o BOPE? É ou não é um filme sobre tortura, corrupção na polícia e afins? E o filme é “legal”.
Posted by Bruno Rabin at 06:27 PM | Comments (0)
September 16, 2007
Animais
Durante muito tempo, eu quis gostar de touradas. Mas, invertendo a lógica da pena — que recomenda defender os mais fracos —, sempre fiquei do lado dos bichos, gostando pouquíssimo de vê-los à morte. Apesar disso, defenderia a tourada. Só não gostaria de vê-las, e o problema é meu.
Não me parece razoável, portanto, querer estender aos outros um defeito de sensibilidade individual. Se tenho pena de touros ou galos, basta que não assista aos embates.
Boa estratégia para os defensores dos animais submetidos a barbaridades desumanas — "desumanas", você leu certo — transformar essas práticas em crimes ambientais. Convém incomodar: não seria crime ambiental de verdade impedir galos-de-briga de brigar?
Posted by Bruno Rabin at 10:19 PM | Comments (0)
September 15, 2007
Apesar de vocês
Cinéfilos e enófilos são aquelas namoradas grudentas que não entendem por que precisamos jogar bola no domingo de manhã. Para elas, tudo são beijos melosos. Mas os bons filmes e vinhos têm a vantagem de continuar bons apesar do carinho. Nós não.
Posted by Bruno Rabin at 08:46 PM | Comments (0)
Até amanhã
Você percebe que está cansado quando, ao entrar no banheiro, dá pela falta de uma cadeira inexistente para se sentar enquanto lava as mãos.
Posted by Bruno Rabin at 07:16 PM | Comments (1)
September 14, 2007
Lótus
Durante a aula de ioga - posso garantir -, ninguém fica mais concentrado que eu.
Posted by Bruno Rabin at 08:39 PM | Comments (0)
September 13, 2007
Dar um Pavarotti
Pavarotti foi um ídolo. Por metonímia, esclareça-se. Num grupo de amigos, convencionou-se que, sempre que alguém passava do limite do bom senso, estava "pavaroteando" ou "dando um pavarotti". Tudo sempre relacionado a discussões e argumentos.
Dar um pavarotti é sempre muito útil quando se está afundando no meio de um debate. Não podendo garantir a adesão de outros a um ponto de vista que lhe pareça óbvio, o sujeito apela. E discussão costuma ir ao limite. Um Pavarotti puxa outro, e as coisas perdem seu rumo.

Pois bem, nesse grupo de amigos (amigos que trabalham juntos, é bom que se diga), isso nunca acontece. Quando alguém vai nessa direção, um dos outros sempre puxa uma voz sonoríssima para gritar "Pavaroooottiiiii", dissolvendo toda seriedade insensata que pudesse restar.
Depois de um Pavarotti, as coisas voltam ao ponto de onde nunca poderiam ter saído. Perde-se em graça e malemolência. Ganha-se bastante em produtividade. Com a "senha" do Pavarotti, nenhuma discussão ultrapassa meia hora. Recomenda-se para administradores, gestores e outros infelizes.
Posted by Bruno Rabin at 07:16 PM | Comments (2)
September 12, 2007
Bons tempos
E haverá quem subverta a segurança tecnológica para mandar sinais de fumaça durante a sessão? Porque, nesse caso, procurei me informar, nem mesmo com pay-per-view.
E ainda há uma defesa e uma acusação, coisas que só interessariam quem está de fora. Lá dentro, não há sensibilidade ao argumento explícito. Daí que, de uma próxima vez, transmita-se pelo menos o jogo, ainda que sem direito à disputa por pênaltis.
Nessas horas, faz falta o ACM para a gente poder saber como ficou o placar da votação.
Posted by Bruno Rabin at 05:07 AM | Comments (1)
September 11, 2007
Um post
Para não me acusarem de fraco. Ou para não terem razão. Um post por dia, nem que seja assim.
Posted by Bruno Rabin at 11:40 PM | Comments (0)
September 10, 2007
Coisa finíssima:
postar o vídeo do You Tube com o anúncio do Estadão difamando blogueiros.
(E aproveito para declarar que, sim, o Bruno do anúncio sou eu mesmo, um farsante - como já se sabia. Mas essa imprensa não acerta uma: imaginem só, dizer que meu blog é de economia...)
Posted by Bruno Rabin at 07:46 PM | Comments (0)
September 09, 2007
Vida simples
Coisa boa na vida são os pequenos prazeres, essas coisas tão simples do dia-a-dia. Ainda agora tomei uma coca-cola fresquinha, fresquinha, feita na hora. Uma delícia. É por essas e outras que eu gosto de morar aqui pertinho da fábrica, na zona industrial.
É um barulho, sabe, um barulho tão forte, tão aconchegante, que você nem sente o tempo parar. Isso pra não falar da felicidade da garotada, que pode brincar à vontade com os vergalhões da obra e correr pelo asfalto, que, de tão quentinho, chega a fazer bolha no pé.
E o colorido em redor? São uns tons de cinza e areia, que se misturam com umas cores gastas, desbotadas, de uma beleza que faz qualquer um sentir por perto a existência de uma força maior. Afinal, só mesmo Niemeyer poderia criar uma coisa assim, que nenhum deus sequer chegaria a imaginar.
Viver por aqui é um perigo a qualquer hora, mesmo de dia. A gente pode deixar a casa toda trancada, que não entra quase ninguém. Só não vêm os amigos, que aliás faltam por essas bandas. Mas o melhor de tudo, devo confessar, é poder tomar essa coca fresquinha, colhida no isopor, do lado da fábica.
Posted by Bruno Rabin at 05:25 PM | Comments (0)
September 08, 2007
C´eravamo tanto amati
Quem não viu que veja.
Posted by Bruno Rabin at 03:51 PM | Comments (0)
September 07, 2007
Humilhação; humildade
O testemunho de autoridade tem matizes de todos os tipos. Serve tanto à escassez de idéias próprias quanto à sua abundância - quando as referências se embaralham para criar alguma novidade, um riso que seja.
Para alguns, trata-se sempre de uma evidência do pedantismo de quem cita. Qualificação interessante essa de pedante. Varia muito entre pessoas. Mostra mais a estupidez de quem qualifica do que um defeito de quem fala; porque o pedantismo é um conhecimento alheio que nos diminui. “Ele não precisava ter mostrado que sabe isso”, diz-se, cheirando a inveja, como se a falta de “necessidade” não fosse justamente o que mais liberta o citador.
O grau de intolerância com citadores não é uniforme: varia de acordo com o autor citado, indo da rejeição máxima — um teólogo norueguês “obscuro” — à aceitação simpática — um desses fiolósofos do futebol. Ou seja, não há relação com o citar em si, o que só prova o argumento.
Por falar em “si”, há uma forma radical e pura de citação, que é quando o sujeito cita a si mesmo: “É como eu sempre digo, isso aí vai dar merda!” Que auto-estima! É quase como colocar o próprio livro na bibliografia. Ser exemplo de si mesmo é, possivelmente, a maior segurança intelectual possível. Ou falta de vergonha na cara. Tanto faz.
Posted by Bruno Rabin at 05:20 AM | Comments (0)
September 06, 2007
Um post por dia
É preciso ter disciplina para manter um blog. Por isso, lanço a campanha pessoal "Um post por dia", a começar por este. Vejamos no que dá.
Posted by Bruno Rabin at 06:18 AM | Comments (0)
September 05, 2007
Bienal
Bienal é um evento para quem gosta de livros de dois em dois anos.
Posted by Bruno Rabin at 05:13 PM | Comments (1)