August 19, 2008

Mein Kampf de Futebol


Jesse James pó-de-arroz? Devo admitir: a sacada é boa, e a risada chega a desculpar o constrangimento da associação. Mas vale o aviso: David, pode esperar, que a tua hora vai chegar...

Informação relevante: este blog é apenas um mensageiro apressado; elogios devem ir para .

Postado por Bruno Rabin at 10:54 PM | Comentários (1)

August 11, 2008

Espírito olímpico: bronze

Do alto dessa gripe mal curada, com uma dor crônica na região lombar, diante da fatia de pizza requentada e da coca-cola já sem gás na temperatura ambiente, com o corpo mal aprumado no sofá de cor indefinida pelos anos sob meio sol, vendo as Olimpíadas pela TV, e as entrevistas dos atletas brasileiros, e os comentários dos comentaristas, não consigo deixar de pensar: "Para mim, já é uma vitória estar aqui."

Postado por Bruno Rabin at 07:14 PM | Comentários (2)

August 09, 2008

She's gotta ticket to ride


No Brasil, o sindicato dos mecânicos vai entrar com uma ação contra a novidade - e é capaz de ganhar.

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July 28, 2008

Que pena?

Há quem veja na prisão de um criminoso um objetivo apenas reabilitador. O sujeito fica lá uns dias, uns meses, uns anos para pensar direitinho, se arrepender e ver se volta a ser gente. Nesse caso, se, antes da prisão, o acusado já tiver tomado tenência, se tiver mudado de vida completamente, se já for até mesmo um pregador de bons valores - e nem se fale do arrependimento, que isso ninguém consegue enxergar -, então nem precisa condenar o sujeito, certo?

Postado por Bruno Rabin at 03:15 PM | Comentários (1)

July 22, 2008

Tratamento de canal é o freak show da civilização ocidental

dentes.jpg

Quando alguém fala em sadomasoquismo você pensa em duas pessoas, não é? Um sádico e um masoquista, que se completam na busca de um prazer borderline, tão pervertido como ridículo, certo? Nada disso. O verdadeiro sadomasoquismo, cumpre esclarecer, só acontece quando uma pessoa encarna as duas dimensões simultaneamente, e esse alguém é o dentista. Senão, espiemos:

Só mesmo o masoquismo mais pervertido explica a escolha por uma rotina de enfrentamento da halitose da pessoa não amada, em meio àquele zunido incessante e à necessidade hiper-humana de um detalhismo que ninguém nota - ou nota, quando dá errado, e processa. Só por uma abnegação religiosa alguém pode se prestar ficar duas horas em frente a uma boca aberta cheia de dentes, equilibrando um sugador, um espelhinho e meia dúzia de equipamentos operados metade pelo pé, metade pela mão.

Ao mesmo tempo, só o sadismo mais cruel explica o ímpeto dos dentistas em perguntar se está doendo, pergunta a que só se pode responder com um grunhido indistinguível que eles interpretam como lhes convier - ou fingem interpretar, embora isso faça pouca diferença. E quando perguntam se está doendo, na verdade eles querem é impor a tortura; mas uma tortura muito sofisticada, que é a ameaça iminente da dor aguda, justo naquele ponto em que a anestesia acaba e você experimenta o insuportável. É como aquele sonho erótico agitado interrompido pela queda no chão frio, com a desvantagem da ausência de erotismo e da certeza da queda num chão gelado, só não se sabe quando.

É pior quando o dentista é mais experiente e nem pergunta sobre a dor; apenas responde ao seu quase-gemido, dizendo "Tá doendo, né? Mas já, já, passa." E continua a fazer o que fazia, sem muita pressa. Alguns chegam a ensaiar uma conversa sobre a reexibição de "Pantanal", ou o caso Daniel Dantas, ou o preço das consultas médicas, e pedem sua opinião sobre esses assuntos, na forma suprema do sadismo, que é o sarcasmo. Isso, a odontologia. E há quem a escolha.

Postado por Bruno Rabin at 10:20 PM | Comentários (1)

July 07, 2008

War in Rio

Soube que existe um War versão Império Romano. Boa idéia. Além da distribuição geo-política do planeta, aprende-se história. Não fosse a concorrência desleal dos videogames ou da TV a cabo, teríamos uma geração esperta sendo formada. Com o original, muita gente aprendeu geografia. Afinal, de que outra maneira um moleque dos anos 80 conheceria Vladvostok, Aral ou aprenderia que Venezuela e Colômbia são a mesma coisa?

Como se não bastasse a função educacional, War é fonte de várias dessas metáforas que correm o risco de se perder (juntamente com o "caiu a ficha" dos orelhões), sendo a "conquista de 18 territórios" metáfora muito mais simpática do que as que se usam na adminstração científica (e, só para comentar, "administração científica" é um bom exemplo da denegação freudiana, semelhante a bares que precisam se chamar "informal" ou "Conversa fiada").

Como o Banco imobiliário, War tem a vantagem de ser politicamente incorreto, uma espécie de oásis intelectual em tempos de discurso pacifista e preocupação social. O nome (bem) brasileiro é um "plus a mais": o original se chama Risk. Só mesmo a tradição explica que essa gente que adora vetar videogames não tenha tentado colocar um "protect the rain forest" entre os objetivos ou proposto uma redefinição da quantidade de exércitos que deveria caber ao continente africano.

War é um jogo de estratégia. Mas se joga com dados. Precisamente como as coisas funcionam no mundo real: organização, objetivo e planejamento sempre esbarram no acaso. O Osama, por exemplo, deve ter jogado War II, aquele com aviõezinhos, antes de ter a idéia do ataque. A Al-Quaeda, aliás, poderia inspirar algumas variações do jogo, mas nada que se compare a esta aqui:

war-in-rio-02.jpg:

Postado por Bruno Rabin at 11:55 PM | Comentários (1)

July 03, 2008

A (sua) tristeza

Há quem não conheça a ética do futebol. Na derrota regular, o perdedor sofre duplamente, e sua irritação procede: amigos e inimigos se aproveitam da situação; podem e devem fazê-lo. Na eliminação, o sofrimento cresce na medida das brincadeiras, com a ressalva da intimidade - já não é de bom tom o desconhecido se aproveitar da dor alheia. Agora, na perda do título - e sobretudo na perda honrada do título -, muita coisa não se aplica.

Não se trata de ser flamenguista, pois há os que conhecem o código de conduta. Mas como a torcida rubro-negra é grande, cresce na mesma proporção a quantidade de sujeitos de má-fé. A zoação, como se não bastasse a inaplicabilidade em caso de luto, se torna ainda mais desprezível vinda de quem vem. Não há atenuante. E talvez haja agravantes: cara de paspalho, babando na risada que não se contém, vendo o jogo dos outros como um grande filme (final infeliz, as many); mas um filme dos outros, nunca seu.

Postado por Bruno Rabin at 10:43 AM | Comentários (1)

June 27, 2008

Conto Sensorial (V)

O olhar perdido de Juan sugeria apenas uma estupidez inocente, muito ao gosto da imagem de adolescente despenteado com um par de fones metidos nas orelhas, com música alta saindo de lado. O que não se sabia é que ele estava assim havia um dia e meio, desde que, pela centésima vez, havia se esforçado inultimente em tirar os fones do ouvido. Um mau jeito, um mau olhado, um azar tremendo, não se sabe, mas os fones estavam presos ao ouvido sem ter força que dali os tirasse.

O desespero levou Juan a hipóteses estranhas: devia ser castigo divino pela música pirateada; ou então aquele romance nunca lido em que era especialista; talvez não ter escovado sempre os dentes - qualquer coisa assim absurda servia. Mas nem a promessa de refazer tudo às avessas dava certo.

Quem mandou comprar essa bateria importada? Essa, que dura pelo menos 50 horas sem parar, pensou o garoto. E por que o fone sem fio? Seria tão simples cortá-lo. Mas nada disso seria tão desesperador. Quando terminou a música que tocava foi que ele se deu conta do problema em que estava metido: apertara o botão do "repeat" para ouvir de novo aquela canção, e ficou fadado a só escutá-la.

Mas por que Juan chorava tanto? É que ter renegado os pais sessentões se voltava finalmente contra ele. Depois de desgostar do Fidel, de jogar fora a edição comemorativa do Manifesto, de prometer não beber cerveja, de raspar a barba crescida, Juan resolveu manter sua única ligação com a "hippiesse" do pai e da mãe e copiou "Volver a los 17", na gravação da Mercedes Sosa com a baianada. E essa era a música que Juan ouvia quando os fones se prenderam a seus ouvidos.

Pediu socorro, mas não se fazia entender. Tentou dormir, mas foi em vão. E agora está ali na frente, sentado no banquinho, olhar no infinito, adolescente típico, ouvindo aquela música repetir para sempre, "como el musguito em la piedra, ay si, si, si". A bateria vai acabar, bem sabemos, mas o Juan acaba antes.

(Este é o último dos contos sensoriais. Os outros estão na extended entry.)

Continue lendo "Conto Sensorial (V)"

Postado por Bruno Rabin at 08:04 PM | Comentários (2)

Faz sentido

Neste caso, mais uma vez, a ironia é involuntária.

Postado por Bruno Rabin at 06:05 PM | Comentários (0)

June 24, 2008

A cena que eu gostaria de ter feito se fosse cineasta


Postado por Bruno Rabin at 11:39 AM | Comentários (0)

Bem de Alzheimer

Estava pensando que a avó, demenciada, lembrando nomes e gestos, mas não o dia anterior, talvez não precisasse tanto assim da dedicação da família no sentido de lhe proporcionar bons momentos, felicidades de que não se lembraria horas depois. Pensava que não ter a lembrança tirava o sentido da alegria, como se o depois valesse mais que o durante. Mas não. Talvez o contrário: como não tem mais a possibilidade de comparar o que está sentindo com o que já sentiu antes, a avó vive a intensidade mais plena, cada momento contendo a maior felicidade e a maior tristeza possíveis. Nenhum meio termo, nenhuma mediocridade. Consolou-se com sobra.

Postado por Bruno Rabin at 12:03 AM | Comentários (2)

June 21, 2008

Ao contrário

As mulheres agora fazem contas, mas isso não diminui sua feminilidade; ao contrário. O teste é simples: a mulher vai a uma loja para comprar uma blusinha. Lá chegando, descobre que há uma promoção. A blusa custa 80 reais, mas se você levar três paga 200. Então, é óbvio que ela vai levar as três; afinal, cada blusa saiu por menos de 70 pratas. O gasto inicial de 80 foi acrescido de 120, fora a felicidade da compra bem feita. Essa, a lógica feminina. Mas não é nada de que não se goste; ao contrário.

Postado por Bruno Rabin at 10:36 AM | Comentários (0)

Por que a medicina precisa de mim

Eu acertaria tudo no exame de vista se as letrinhas não fosse tão parecidas.

Postado por Bruno Rabin at 10:34 AM | Comentários (0)

June 20, 2008

Na mesa

Quando o terceiro vinho chegou e todos se distraíram um pouco, ele olhou uma outra vez para ela, agora mais detidamente. Ela oferecia um sorriso aberto à mesa, enquanto rodava a taça entre os dedos, como se fizesse carícias em alguém que ele não conseguia identificar. Continuou olhando em sua direção, sem perceber que lhe faziam uma pergunta sobre a safra do vinho, à qual respondeu com um “sim”, prontamente diluído na embriaguez do amigo curioso, que já não ouvia nada.

Ela era estúpida (ele sabia) mas ninguém na mesa conseguia perceber que o silêncio enigmático era um disfarce para a falta do que dizer. Ela se aproveitava (ele sabia) de ter olhos escuros; de ter, com esses olhos, um olhar demorado, não pelo que enxergasse profundamente, mas pela imensidão do vazio, pois a falta é ainda mais eloqüente que o excesso; de ter um cabelo muito fino, que mesmo preso se desprendia aos poucos e deixava uns fios escondendo-mostrando a nuca do pescoço comprido; de ter quase um tique no jeito como passava o polegar no canto inferior do lábio, repuxando-o com suavidade e firmeza, como se quisesse abrir a boca só para deixá-la entreaberta, sem dizer nada, mas expirando um ar quente que (ele sabia) aumentaria de intensidade quando ela já estivesse seminua. Mas ele não sabia com quem.

E quando voltou a beber do vinho, fechando os olhos no final do movimento com a taça, ela estava renovando as carícias que ninguém deveria querer ter, porque ela, afinal, teria pouco a dar em troca. A única coisa que tinha, e inconsciente, era essa habilidade em dizer-se para os outros de um modo que (ele sabia) ela não era, essa competência com o corpo que a fazia controlar os gestos à mesa e molhar o pedaço de pão no azeite sem olhar o próprio movimento, mas percorrendo cada ponto do espaço que deveria percorreria se visasse à perfeição. Ela era distraída em ser.

Só ele percebia que ela era uma impureza – e um vazio. Por isso a decisão de detê-la.

Primeiro, teve a idéia de um ataque. Ensaiou uma gargalhada sonora, à qual se seguiria o deboche do controle que (ele sabia) ela não tinha de verdade. Seria uma agressão indireta, uma maneira de ridicularizá-la na frente de todos, exigindo que ela saísse desse lugar de falsa segurança em que depositara sua habilidade em parecer o que (ele sabia) ela não era. Mas foi só uma idéia. Talvez a bebida o ajudasse a colocá-la em prática. Talvez. Ele duvidou; menos do deboche do que da capacidade de rir à vontade que sua intenção exigia, um riso de superioridade como são os risos de pessoas que se sentem melhores que as outras; e ele não se sentia.

Então, pensou em ser igual a ela. Se pudesse esboçar um olhar de mistério e fazer convergir a atenção dos amigos, daria certo. Mas não podia; e precisava detê-la. Ele ainda tentou imitá-la no gesto generoso, levando sua própria taça à boca em um movimento controlado, mas teve a impressão de que a cada ponto do espaço correspondia um riso sarcástico, um comentário, uma reprovação – o barulho da mesa. Desistiu no meio do caminho, com a taça trêmula voltando rápido para o lugar de onde partira e fazendo um som agudo ao bater na borda do prato. Do barulho, fez-se o silêncio, e todos olharam para ele – inclusive ela. Tinha pena, ele sabia.

Com mais um gesto suave, ela partiu outro pão, levou o pedaço menor ao azeite e de lá à boca, onde o mastigou demoradamente, limpando os lábios com o polegar, como se fosse perfeita – e o torturasse, ele sabia.

Postado por Bruno Rabin at 12:52 PM | Comentários (0)

June 12, 2008

Oposição, situação

cavernadodragao.jpg
Dilma, Ideli, Zé Múcio, Romero Jucá e Franklin Martins

Quer dizer que é para dar aquela torcidinha pela inflação?

Postado por Bruno Rabin at 12:03 PM | Comentários (0)

June 11, 2008

Curtura (ou: post em que quase firo a regra número oito do Blogma, no mais puro casuísmo, mas ao contrário)

A vantagem do dogma religioso sobre o, digamos, pagão, é que ele tem a força do mistério. Isso parece óvio, embora talvez não seja lógico - no sentido menor da palavra "lógica", ou seja, como silogismo aristotélico for dummies. De qualquer maneira, com ou sem a interdição do mistério, as pessoas precisam de dogmas, e tanto pior que eles não sejam plenamente dogmáticos. Explica-se: na educação familiar, aprende-se cada vez menos sobre valores humanos absolutos ou respeito a Deus, mas todo mundo sabe que é imprescindível separar o saco de arroz do detergente nas sacolas de supermercado e ninguém ousa escovar os dentes na pia da cozinha. E por quê? Porque não pode, oras.

Mas isso é só curioso, digo, é apenas engraçado que as pessoas questionem tão pouco alguns costumes e verdades domésticas, na mesma medida em que fazem redações escolares sobre o quanto a riqueza de uns poucos é fruto da exploração gananciosa e desumana da miséria alheia. Em qualquer dos casos, assume-se um raciocínio que parece bom como o fundamento daquilo que ele funda, sem se perceber a enrascada, humm, lógica da coisa toda.

Nada disso, porém, tem um efeito tão perverso quanto as etimologias e distinções que aquele tio coroa, sabido, cheio de tiradas, nos ensina na forma de rasteira. São como gerentes de R.H. familiares, com a desvantagem de ainda não sermos cínicos o suficiente para rirmos da insistência dessas frases ao longo dos anos ou da evidência curiosa de que essa sabedoria do tio não o levou a pagar dívidas ou conseguir um empreguinho de professor numa universidade pública. E assim, mal percebendo tudo isso, aceitamos do tio que educação seja mesmo "ex-ducere, levar para fora, extrair da pessoa o que ela tem de melhor" e criticamos a imposição de conteúdo de certos professores, justamente os que teriam algo a dizer numa época em que não temos nada para ser extraído de nós (ou temos, mas isso bem sabemos fazer quando ninguém está por perto).

Entre todos os dogmas do tio sabidão, nenhum é tão terrível quanto a distinção dita como resposta a uma crítica que fazemos a um apresentador de televisão estúpido ou ao vizinho que não lê: "Mas, meu filho, cultura não é sinônimo de inteligência", meaning: pouco importa a erudição, o que interessa é saber raciocinar, ter aquela espécie de mental sharpness, para a qual, muito sintomaticamente, não temos palavra em português. Resultado: a pobre criança começa a achar que os livros são tempo perdido e talvez até um prejuízo à sua inventividade. Lembra-me, a propósito, um poeta-revelação que entrevistei na época de escola para o jornal do grêmio, que dizia preferir não ler outros poetas para não se influenciar. No caso dele, que me lembre, deve ter sido uma vantagem de sobrevivência não ter feito comparações e, pensando bem, até que tem certa razão o sujeito que não descobre que não inventou nada: para ele, tudo é orginal.

Mas o poeta também sou eu, num certo sentido. E muito do que não li talvez tenha relação com essa sensação compensatória de que a observação inteligente poderia servir de resposta a qualquer citação. Por isso, durante boa parte da vida, uma certa fuga da "assimilação de cultura" se combinou à inércia da esperteza, produzindo uma catástrofe mais tarde, quando descobri que inteligente mesmo é o sujeito que resolve algumas equações e que, quase sempre, a referência cultural é um trampolim do brilho - a não ser no caso da estupidez, que é uma mistura de chatice com insensatez, e não o oposto de inteligência, como se costuma pensar. Enfim, nem tão sagaz, nem tão letrado - e mediano é bastante medíocre. Por isso, escrevo (e publico :-).

Daí, também, a recomendação deste jovem tio: nunca aceitar as dicas do tio sabichão.

Postado por Bruno Rabin at 11:31 AM | Comentários (0)

June 06, 2008

Inversão

As pessoas sempre dizem que a melhor maneira de melhorar a escrita é praticar a leitura, sem se dar conta de que a boa leitura envergonha o escritor medíocre e de que o contrário procede muito mais: o escritor freqüente se tornar um leitor melhor.

Postado por Bruno Rabin at 06:26 PM | Comentários (7)

June 05, 2008

Do futebol

Para o torcedor, o futebol é um jogo de azar pior que um jogo de azar. Porque, na roleta, se o vermelho 17 não sai, você bem pode recolher as fichas, ou apostar nos pares, não sei. No futebol, o investimento de alegria é viciado e não se pode fazer muita coisa para que tudo corra bem. Mas continuamos apostando, porque a alegria, quando vem, vem em dobro.

Postado por Bruno Rabin at 12:38 PM | Comentários (2)

May 29, 2008

Desamor

Boa descoberta foi a de que o Bernardo Carvalho tem um blog. E no primeiro post:


O horror confesso que eu tenho dos blogs me pôs numa sinuca de bico (devidamente ironizada pelos amigos mais próximos) quando descobri que durante a minha estada em São Petersburgo também teria que escrever um. Não é que não goste; eu detesto blog.

Eu, que gosto muito de literatura contemporânea, e gosto especialmente da tensão das coisas que não acontecem, acho os romances do Bernardo Carvalho quase todos muito bons. Claro, tem aquelas partes nojentas, mas aí você pode ir pulando. Então, nem me sinto à vontade para fazer a piada óbvia com o comentário dele sobre blogs. E, confesso, até concordo um pouquinho com ele. Bem, não é um pouquinho, é muito. Tanto como se fosse quase uma epifania. Por exemplo: é bem blogueiro dar o nome ao blog de "Epifania", não é não? Ou em latim. Então, é isso que detesto. E também que tem blog demais por aí (inclusive este, eu bem sei, não precisa falar o óbvio). A Internet é como um sebo ao contrário, onde tem sempre uma novidade nova, em vez duma novidade velha. Mas coisas velhas desconhecidas, se sobraram, é porque são boas, ou porque são engraçadas, ou porque são boas de tão ruins. No blog, não; quase tudo sobra como novidade. E nenhuma novidade dessas novinhas pode ser excitante de verdade. Por isso, um desamor sonolento diante de tudo.

Postado por Bruno Rabin at 10:43 AM | Comentários (1)

Eu, hein.

Algumas pessoas têm um orgulho torto e fazem questão de gritá-lo por aí, como se amar o time ainda mais na derrota não fosse a mesma coisa que se envaidecer da esposa que embaranga. Eu, hein.

Postado por Bruno Rabin at 12:04 AM | Comentários (4)

May 28, 2008

Para mim, o mais difícil em Chesterton é...

a pronúncia do nome.

(Aliás e a propósito, outro patrício falando do ômi aqui, mas só para assinantes. A mesma coisa aqui.)

Postado por Bruno Rabin at 11:20 AM | Comentários (4)

May 27, 2008

Marketing Editorial

Poucos livros devem vender tão erradamente quanto Como vencer um debate sem precisar ter razão, de Arthur Schopenhauer. Culpa do Olavão?

Em vez de criticar a escolha, pode-se aprender com ela:


  • Como chatear seu chefe, não trabalhar e ainda ser pago por isso, de Herman Melville
  • Dê um tempo para o seu ser, de Martin Heiddeger
  • A arte da guerra - e da paz, de Leon Tolstói
  • Você quer, você pode - desvendando os segredos dos super-homens, de Friedrich Nietzsche
  • Casais inteligentes vão ao paraíso juntos, de Dante Aligheri
  • Transforme sua vida no maior barato, de Franz Kafka
  • Não morra de inveja: descubra o Iago que existe em você, de William Shakespeare
  • O segredo das mentes perdedoras, de James Joyce
  • Quem precisa da OAB? - 101 superdicas para estudantes de Direito, de Fiódor Dostoiévski
  • Second Life para iniciados: invente seu próprio mundo (versão em diálogos!), de Platão
  • Vencendo o preconceito: como arrumar um marido e se orgulhar disso, de Jane Austen
  • O guia do turista misantropo, de Albert Camus
  • Quem joga a isca que quer acaba fisgando o que não pode pescar, de Ernest Hemingway
  • Sua casa é seu universo - visitando o porão da vida, de Jorge Luis Borges

Postado por Bruno Rabin at 03:23 PM | Comentários (13)